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	<title>Comments on: A Fragilidade da Causalidade</title>
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		<title>By: Arnaldo Vasconcellos</title>
		<link>http://arnaldo.networkcore.eti.br/276-a-fragilidade-da-causalidade.html/comment-page-1#comment-367</link>
		<dc:creator>Arnaldo Vasconcellos</dc:creator>
		<pubDate>Wed, 26 Jan 2011 20:04:41 +0000</pubDate>
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		<description>&lt;a href=&quot;#comment-364&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;@João&lt;/a&gt; 

Olá João,

O fato de duvidar da garantia da causalidade é uma forma de duvidar da forma com que a causalidade estabelece-se epistemologicamente. Ou seja, como fonte sumamente confiável na origem do conhecimento. Isso não é ruim, por mais que acreditemos na causalidade (sério, acredito que a causalidade existe, mas o questionamento por base na &gt;&gt;garantia&lt;&lt; é uma questão pertinente e interessante; o que nos possibilita evitar doxas).

Hume colocava a questão da causalidade como um &quot;hábito&quot;. Tomamos as coisas por hábito. A sensação de causalidade poderia ser um hábito, devido a sucessão de eventos, tomamos os mesmos como causados.

Claro que eu acredito na causalidade, e acho em termos probabilísticos pouco provável que todo o tempo tais fatos corroboraram apenas para nosso hábito. Mas é um questionamento elegante, e de certa forma, louvável de se fazer. De fato, se entrarmos no jogo, veremos que essa garantia tem uma parcela de tênuidade, o que permite que eu questione sobre o que conhecemos e o que podemos conhecer (uma tarefa epistemológica).

Entretanto sua afirmação de que com isso podemos afirmar e postular existência de deuses para garanti-la, afirmo que não é por esta via. Até porque Hume era ferrenho com o postular seres deste tipo (pégaso por exemplo é a união do que conhecemos como ave e de cavalo, um processo mental).

O que eu quis com este artigo e com outros sobre a causalidade não é dizer que ela não existe, mas sim dizer que é algo valoroso pensar acerca de suas garantias, pois entrando no jogo humeano de fato até teorias científicas teriam problemas e estariam a trabalhar em cima do termo técnico humeano chamado &quot;hábito&quot;.

E Kant responde Hume, criando suas estruturas de sensibilidade e outras.
Por dentro da filosofia humeana, mesmo na ciência mais avançada e com &quot;consistências&quot; existiria a possibilidade de estar embasada num hábito mental humano e por isso decorre a fragilidade da causalidade.

Assim, se eu misturar hume e popper, apenas como uma experiência mental, veremos que a garantia da causalidade, por mais que tenhamos &quot;corroborações&quot; cotidianas não temos uma asserção infalível de sua garantia como absurdamente eficaz. Sempre fica a dúvida de se poder ter uma fragilidade na mesma. Isso não é ruim, do ponto de vista em que podemos aperfeiçoar nossa concepção da causalidade e de sua garantia (como tem sido feito a anos depois de hume) de fato.

Se hume estivesse certo, até uma evolução estaria a explicar isso, também: poderia ser um artefato mental (o hábito) para se sobreviver. Note que podemos entrar em uma série de questionamentos de &quot;pode&quot; devido a causalidade do mesmo. Por isso tenho ciência de como isso pode tornar uma antinomia.

Portanto a consistencia do conhecimento pode ser, dentro do ponto de vista humeano, apenas uma sensação de consistência baseada no hábito; mas que de fato poderia haver problemas de garantia causal. E daí não poderíamos ficar assustados se jogar uma pedra ao chão ela começasse a flutuar.

Não se desculpe pelo seus comentários. Eles são valiosos. Concordo com certos pontos explanados, mas tenho alguns dizeres acerca deles.

Abraços,

Arnaldo.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p><a href="#comment-364" rel="nofollow">@João</a> </p>
<p>Olá João,</p>
<p>O fato de duvidar da garantia da causalidade é uma forma de duvidar da forma com que a causalidade estabelece-se epistemologicamente. Ou seja, como fonte sumamente confiável na origem do conhecimento. Isso não é ruim, por mais que acreditemos na causalidade (sério, acredito que a causalidade existe, mas o questionamento por base na >>garantia<< é uma questão pertinente e interessante; o que nos possibilita evitar doxas).</p>
<p>Hume colocava a questão da causalidade como um &#8220;hábito&#8221;. Tomamos as coisas por hábito. A sensação de causalidade poderia ser um hábito, devido a sucessão de eventos, tomamos os mesmos como causados.</p>
<p>Claro que eu acredito na causalidade, e acho em termos probabilísticos pouco provável que todo o tempo tais fatos corroboraram apenas para nosso hábito. Mas é um questionamento elegante, e de certa forma, louvável de se fazer. De fato, se entrarmos no jogo, veremos que essa garantia tem uma parcela de tênuidade, o que permite que eu questione sobre o que conhecemos e o que podemos conhecer (uma tarefa epistemológica).</p>
<p>Entretanto sua afirmação de que com isso podemos afirmar e postular existência de deuses para garanti-la, afirmo que não é por esta via. Até porque Hume era ferrenho com o postular seres deste tipo (pégaso por exemplo é a união do que conhecemos como ave e de cavalo, um processo mental).</p>
<p>O que eu quis com este artigo e com outros sobre a causalidade não é dizer que ela não existe, mas sim dizer que é algo valoroso pensar acerca de suas garantias, pois entrando no jogo humeano de fato até teorias científicas teriam problemas e estariam a trabalhar em cima do termo técnico humeano chamado &#8220;hábito&#8221;.</p>
<p>E Kant responde Hume, criando suas estruturas de sensibilidade e outras.<br />
Por dentro da filosofia humeana, mesmo na ciência mais avançada e com &#8220;consistências&#8221; existiria a possibilidade de estar embasada num hábito mental humano e por isso decorre a fragilidade da causalidade.</p>
<p>Assim, se eu misturar hume e popper, apenas como uma experiência mental, veremos que a garantia da causalidade, por mais que tenhamos &#8220;corroborações&#8221; cotidianas não temos uma asserção infalível de sua garantia como absurdamente eficaz. Sempre fica a dúvida de se poder ter uma fragilidade na mesma. Isso não é ruim, do ponto de vista em que podemos aperfeiçoar nossa concepção da causalidade e de sua garantia (como tem sido feito a anos depois de hume) de fato.</p>
<p>Se hume estivesse certo, até uma evolução estaria a explicar isso, também: poderia ser um artefato mental (o hábito) para se sobreviver. Note que podemos entrar em uma série de questionamentos de &#8220;pode&#8221; devido a causalidade do mesmo. Por isso tenho ciência de como isso pode tornar uma antinomia.</p>
<p>Portanto a consistencia do conhecimento pode ser, dentro do ponto de vista humeano, apenas uma sensação de consistência baseada no hábito; mas que de fato poderia haver problemas de garantia causal. E daí não poderíamos ficar assustados se jogar uma pedra ao chão ela começasse a flutuar.</p>
<p>Não se desculpe pelo seus comentários. Eles são valiosos. Concordo com certos pontos explanados, mas tenho alguns dizeres acerca deles.</p>
<p>Abraços,</p>
<p>Arnaldo.</p>
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		<title>By: João</title>
		<link>http://arnaldo.networkcore.eti.br/276-a-fragilidade-da-causalidade.html/comment-page-1#comment-364</link>
		<dc:creator>João</dc:creator>
		<pubDate>Wed, 26 Jan 2011 16:28:21 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://arnaldo.networkcore.eti.br/?p=276#comment-364</guid>
		<description>Arnaldo:

É de facto um problema que reduz o intelecto humano à sua cósmica dimensão de formiga com catarro. :)

Mas existem como dizes algumas soluções, ainda que na minha opinião nenhuma ultrapasse o problema do ponto de vista humano.

A indução é um fenomento cerebral de causa efeito. Se a causa efeito não existirem, então que garantia temos da realidade? 

Nenhuma. Podemos postular deuses, mas isso não leva a lado nenhum.

Podemos testar a causalidade? Não de todo mas em parte.  Na parte em que usamos os efeitos conhecidos para criar relações complexas novas, como por exemplo na tecnologia (o que envolve muitas condições falseaveis)  e na parte em que há um conhecimento do mecanismo subjacente à causa efeito. E isso permite testar as nossas leis de um modo incrivel. 

Um excelente exemplo é o primeiro teste da teoria da relatividade que incluia obsevar a luz desviada pela gravidade em determinado grau. É algo que para lá de ser um fenomeno previsto e testável, envolve um conhecimento vários niveis abaixo da gravidade e da luz em si.  

A ciencia esta nesse ponto nos dias de hoje. é o ponto da consistencia. Do encaixe de fenomenos intuitivamente desconexos. De continuidade entre teorias. Resumimos o nosso conhecimento a duas teorias (mecanica quantica e relatividade geral) em que tudo o resto encaixa. Desde a celula, à produção da mente no nosso cerebro. E de como ele encara o mundo. Ainda estamos a aprender que por defeito o cerebro cria de falos positivos - algo que me parece até podia ser previsto por kante e hume - mas temos uma ideia de como ultrapassar isso. A  teoria da evolução também explica porque isso acontece. É melhor identificar um perigo erradamente e fugir do inofensivo que ficar e ser comido. 

Peço desculpa se isto parece uma grande confusão, muitas ideias em pouco espaço, mas a verdade é que o que quero dizer é que a consistencia do conhecimento é o argumento melhor para resolver o problema de hume. Leva a que possamos dizer que há coisas que têm causa e efeito, mesmo que noutras seja ilusão.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Arnaldo:</p>
<p>É de facto um problema que reduz o intelecto humano à sua cósmica dimensão de formiga com catarro. <img src='http://arnaldo.networkcore.eti.br/wp-includes/images/smilies/icon_smile.gif' alt=':)' class='wp-smiley' /> </p>
<p>Mas existem como dizes algumas soluções, ainda que na minha opinião nenhuma ultrapasse o problema do ponto de vista humano.</p>
<p>A indução é um fenomento cerebral de causa efeito. Se a causa efeito não existirem, então que garantia temos da realidade? </p>
<p>Nenhuma. Podemos postular deuses, mas isso não leva a lado nenhum.</p>
<p>Podemos testar a causalidade? Não de todo mas em parte.  Na parte em que usamos os efeitos conhecidos para criar relações complexas novas, como por exemplo na tecnologia (o que envolve muitas condições falseaveis)  e na parte em que há um conhecimento do mecanismo subjacente à causa efeito. E isso permite testar as nossas leis de um modo incrivel. </p>
<p>Um excelente exemplo é o primeiro teste da teoria da relatividade que incluia obsevar a luz desviada pela gravidade em determinado grau. É algo que para lá de ser um fenomeno previsto e testável, envolve um conhecimento vários niveis abaixo da gravidade e da luz em si.  </p>
<p>A ciencia esta nesse ponto nos dias de hoje. é o ponto da consistencia. Do encaixe de fenomenos intuitivamente desconexos. De continuidade entre teorias. Resumimos o nosso conhecimento a duas teorias (mecanica quantica e relatividade geral) em que tudo o resto encaixa. Desde a celula, à produção da mente no nosso cerebro. E de como ele encara o mundo. Ainda estamos a aprender que por defeito o cerebro cria de falos positivos &#8211; algo que me parece até podia ser previsto por kante e hume &#8211; mas temos uma ideia de como ultrapassar isso. A  teoria da evolução também explica porque isso acontece. É melhor identificar um perigo erradamente e fugir do inofensivo que ficar e ser comido. </p>
<p>Peço desculpa se isto parece uma grande confusão, muitas ideias em pouco espaço, mas a verdade é que o que quero dizer é que a consistencia do conhecimento é o argumento melhor para resolver o problema de hume. Leva a que possamos dizer que há coisas que têm causa e efeito, mesmo que noutras seja ilusão.</p>
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