A Fragilidade da Causalidade
Sem causalidade, sem garantia

David Hume - Filósofo Escocês
Imagine você, numa sinuca, está prestes a bater com o taco de madeira na bola branca a fim de encaçapar uma das outras bolas restantes no jogo para pontuar.
O ato de transferir força mecânica do taco para a bola branca (que por sua vez irá transferir para a outra bola de pontuação) já é vista como algo, um fenômeno, trivial da mecânica.
De certa forma estamos acostumados com isso, pois sempre experenciamos este resultado.
Quando largamos um objeto em alguma altura, observamos que sempre responde com uma queda, que pôde ser estudada desde a época de Galileu e Newton.
Em todos estes exemplos está por trás a idéia da causalidade. Uma causa precede um efeito. O fato de existir uma causalidade credencia uma garantia a pesquisas científicas e diversas outras atividades de pensamento investigativo que possuímos. Mas o que aconteceria se questionássemos a causalidade?
Através de nossas percepções conseguimos apreender os eventos que chamamos de causa e efeito, como eventos, mas a conexão entre eles não o fazemos. Então, pode ser que a causalidade não exista e seja apenas de âmbito psicológico.
Para David Hume, filósofo escocês, empirista, a causalidade seria questão de hábito: por sempre vermos supostas causas e efeitos sugerimos e acreditamos que exista um elo que denominamos causalidade.
Se a causalidade não é algo intrínseco à natureza dos eventos, então toda a sorte de argumentações investigativas, como a ciência, baseadas em observações que se fundam em ideais de causalidade, seriam, desta feita, argumentações sem a garantia de previsibilidade.
Teorias científicas, como já vimos, trabalham com a previsibilidade, além da descrição de eventos e coisas. É a previsibilidade que estrutura e fundamenta a diferença entre uma teoria científica e uma teoria filosófica. Pois é a previsibilidade que pode estar ligada a argumentos falseadores (isto numa perspectiva popperiana).
A idéia de Hume já foi muito debatida e existem diversas soluções (que não vou abordar aqui), mas é de uma beleza sem tamanho, visto que ressoaram (e ainda ressoam na epistemologia) soluções e problemas correlacionados.
É importante pensarmos, “E se realmente não houver causalidade? Se ela for apenas uma questão de hábito? Teremos garantia em nossos empreendimentos científicos?”. É importante pensarmos em nossas barreiras do entendimento e o quanto nossas aspirações científicas, apesar de bastante promissoras, podem estar apoiadas em pontos frágeis, de um âmbito estritamente lógico.
Enfim, apesar dos êxitos logrados pela ciência, é bom refletirmos sobre aquilo que a fundamenta.
Tenho alguns palpites acerca destes problemas, mas eles são apenas palpites e ainda estou os desenvolvendo sobre esta suposta fragilidade e a garantia de nosso conhecimento científico.
Arnaldo Vasconcellos.
Cognoscibilidade, Epistemologia, Filosofia, Teoria da Ciência



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