| Sejam bem vindos! Este blog tem como o objetivo estudar a ciência e a filosofia da ciência, bem como discutir a respeito dos avanços científicos e tecnológicos sob a luz, sempre que for possível, da filosofia. |
A heurística da suspensão é mais uma cosmovisão?
Ao escrever o ensaio “A suspensão do juízo como heurística” havia me perguntado sobre a possibilidade desta suspensão (inclusive a religiosa) ser possível e se ela poderia ser elencada como uma outra cosmovisão. Por este motivo, afirmei que deveria ser feito dentro da possibilidade do que for humanamente possível. E esse é o ponto. Mesmo assim ainda com certas dúvidas e precisando dialogar, cheguei como quem nada queria e comecei expor minhas dúvidas à minha esposa a fim de perceber seu viés acerca do assunto; uma visão diferente da minha. De certa forma, ela chegou justamente no ponto de minha dúvida e conversamos o possível no prelúdio de minha ida ao trabalho.
Também mantive conversa com Vanessa Meira, uma blogueira que estou tratando o assunto. E com base nas seguintes conversas, notei certas objeções ao método heurístico que comentei na postagem supracitada:
1) Suspender juízos de forma completa é impossível. Somos humanos e sempre estamos sujeitos a cosmovisões.
2) O ato de suspender juízos para investigar o mundo é uma cosmovisão. Portanto seria uma cosmovisão que tentaria sobressair-se as demais.
Pois bem, ao escrever originalmente o ensaio supracitado, deixei bem claro que a suspensão deve ser feita, se for feita, “dentro dos limites humanos”. E que esta suspensão não tem em si a consequência de uma “traição” à sua cosmovisão.
Existe uma diferença muito grande em supor uma suspensão de seus valores religiosos (e outros se necessário, para uma investigação) dentro do limite em que você puder e pedir uma suspensão total. Sim, total é impossível, por isto mesmo já estava implicito no meu artigo citado quando dito “humanamente possível”.
Quanto ao ato da suspensão ser uma cosmovisão não se tem muito para fugir, pois toda empreitada humana é todama por imagens tácitas assumidas. A ciência, como já abordamos em outros ensaios é tomada por imagens de natureza.
Entretanto é difícil determinar se a “suspensão dos juízos” é de fato uma cosmovisão ou se ela precisamente apenas participa de uma. Há diferenças neste quesito. Read more…
Ciência, Cognoscibilidade, Epistemologia, Filosofia, Gerais, Teoria da Ciência, teoria do conhecimento
A suspensão do juízo como heurística
Diversas vezes tenho esbarrado em alguns blogs (alguns de cunho religioso) [*]com pessoas usando de suas crenças para pensarem e analisarem acerca de diversos temas.
Muitas vezes pedi a suspensão dos juízos (religiosos incluídos) e nem sempre fui muito bem compreendido. Um dos argumentos apresentados é que se tal pessoa crê fielmente em algo deve inundar-se completamente a ponto de poder fazer-se um bom crente.
Entretanto, argumento que a suspensão dos juízos é uma boa heurística para se fazer pensar diversos temas que, dentro de cosmovisões determinadas, estaríamos limitados. Lógico que existe o limite do que é humanamente possível fazer de suspensão.
Há um argumento escondido, por parte dos que não aceitam uma suspensão, de como se ao suspender juízos fossemos nos tornar traídores em uma determinada classe de pensamentos (seja religiosa, científica ou filosófica).
Uma boa maneira que encontrei é tentar pensar em diversas hipóteses. O artigo que utilizei o exemplo de Sagan do “dragão em minha garagem” foi um exemplo. Mas houve quem leu de forma teológica, enquanto eu tratava apenas de uma situação hipotética, para depois poder analisar os resultados e trazê-los a tona.
Fazer isso não é deixar o pensamento em compartimentos estanques. Não é, pois o que deixa o pensamento estanque e engessado é justamente trancá-lo em cosmovisões, que cada vez mais pedem que apertemos nossas faculdades do entendimento, a fim de não representar uma suposta “traição”. Read more…
Cognoscibilidade, Educação, Epistemologia, Gerais, teoria do conhecimento
A garantia social da ciência (Série pseudociências – Parte 6#)
Olhando amplamente todo o leque de pseudociências, pergunto-me “o que fez com que um tipo de explicação não-científica tente se passar por ciência?”.
É claro, como muitos ja apontaram, como Carl Sagan, citado no início de nossa série de ensaios sobre pseudociências, existe uma séria deficiência na alfabetização científica.
Essa deficiência permite que explicações não-científicas passem como científicas; assim como também é possível encontrar pessoas com uma certa fobia ao que e científico. Por que?
Os fóbicos da ciência relacionam os maus usos dos produtos da ciência e tecnologia como se fosse a própria ciência. Esquecem que ela é um instrumento, assim como outras áreas plenamente humanas. O uso dos produtos científicos e tecnológicos beiram a instrumentalidade: usar um martelo para lesar uma pessoa não significa dizer que o martelo é “mau”.
O valor maléfico ou benéfico é dado aos produtos dela e não a si mesma. A confusão entre empregos lesatórios, dos produtos de uma ciência e a própria ciência, é uma das fontes de fobia científica.
Claro que a coisa não é tão simples assim, alguns ainda podem argumentar que o procedimento científico pode empreender resultados que lesariam. O estudo de drogas em animais, por exemplo, podem ser uma lesão a animais.
Mas este é um caso centrado na ética da conduta de pesquisa. O fóbico da ciência, quando admite sua maleficidade, a admite por geral. A generalisa. E pega casos centrados na ética da conduta de pesquisa e generalisa como um todo. Por este motivo deve existir o estudo ético na ciência. Entretanto o argumento do fóbico parece ser truncado: não encontramos em todo o tempo atos que poderiam ser considerados lesatórios num estudo científico. Caso um fóbico da ciência ainda afirme que, em última instância, todo ato de estudo científico leva ou pode levar a lesões a outrém, posso ainda imaginar que este argumento não é muito forte: poderia ser extendido para toda capacidade de raciocínio, não só à ciência, e por último ao ser humano e suas decisões diárias (não vejo essa linha de raciocínio, de que a ciência seria má por possibilitar lesões mesmo que em decorrência de um estudo não lesatório, como uma linha de crítica válida; parece uma crítica externa e ela cabe tanto no que é conhecimento, quanto no que for humano – e assim o homem seria lesatório por natureza e tudo o que produzisse).
Portanto, de uma maneira ampla, o argumento do fóbico parece nascer de uma confusão entre uma escolha realmente lesatória (construir uma arma com conhecimento técnico-científico e aplicá-la) e uma escolha não lesatória, mas que poderia levar a uma lesão futura (o estudo da combustão de certas substâncias).

Um teste com uma bomba nuclear - Fonte: Wikipédia
A deficiência na alfabetização científica (e não somente nela, mas em muitos campos do conhecimento) pode permitir este tipo de fobia. Não estou falando da crítica à ciência (a ciência como qualquer outro âmbito humano está passível a crítica; e ao meu ver deve estar sempre sobre o crivo do olhar crítico), mas estou a remeter-me ao ato fóbico, quase doentio, da negação do que é ciência ou científico (como se ela fosse uma personagem maléfica de uma história). Read more…
Updates efetuados
Algumas postagens do blog tiveram updates devido a interessantes (ou intrigantes) coisas lidas na internet.
A incomunicabilidade do dragão da minha garagem – (Série pseudociências – Parte 5#)
O Falseacionismo Ingênuo e a solução fantástica (Série pseudociências – Parte 3#)
Leitura recomendada (o mundo assombrado pelos demônios)
Análise ao artigo sobre a pesquisa de Schweitzer
A incomunicabilidade do dragão da minha garagem – (Série pseudociências – Parte 5#)

Dragão chinês
Em nosso blog, em outro ensaio já falamos do livro de Carl Sagan “O mundo assombrado pelos demônios”. Neste livro, Sagan tem um capítulo denominado “o dragão da minha garagem” onde explica o caráter ad hoc de teorias não científicas face ao método científico para verificá-las e falseá-las.
Neste ensaio procuro refletir sobre a existência de um dragão que não possa ser analisado sob a luz de nosso método científico.
Uma primeira visita ao exemplo, notamos que estabeler a existência de um dragão que não pode ser analisado é de difícil instância, pois parece não ser apresentável em nenhuma forma de fenômeno. Também não parece estar relacionado com nenhuma forma fenomênica.
Fenômeno vem do grego “phainomenon” que é basicamente aquilo que é observável, que tem uma aparição.
Um dragão, cuja existência não é estimável por análises de sua aparição, ou seja de seu fenômeno, e não está relacionado com nenhuma outra forma de aparição – poderíamos tentar analisá-lo não apenas diretamente, mas em relação a outras observações correlatas – é um dragão indeterminável. É, com muita possibilidade, de natureza incognoscível (se existente) ou incomunicável.
Vamos reler o exemplo de Sagan e depois iremos explorá-lo como uma experiência mental:
- Um dragão que cospe fogo pelas ventas vive na minha garagem.
Suponhamos que eu lhe faça seriamente essa afirmação. Com certeza você iria querer verificá-la, ver por si mesmo. São inumeráveis as histórias de dragões no decorrer dos séculos, mas não há evidências reais. Que oportunidade!
- Mostre-me – você diz. Eu o levo até a minha garagem. Você olha para dentro e vê uma escada de mão, latas de tinta vazias, um velho triciclo, mas nada de dragão.
- Onde está o dragão? – você pergunta
- Oh, está ali – respondo, acenando vagamente. – Esqueci de lhe dizer que é um dragão invisível.
Você propõe espalhar farinha no chão da garagem para tornar visíveis as pegadas do dragão
- Boa idéia – digo eu –, mas esse dragão flutua no ar.
Então, você quer usar um sensor infravermelho para detectar o fogo invisível.
- Boa idéia, mas o fogo invisível é também desprovido de calor.
Você quer borrifar o dragão com tinta para torná-lo visível.
- Boa idéia, só que é um dragão incorpóreo e a tinta não vai aderir.
E assim por diante. Eu me oponho a todo teste físico que você propõe com uma explicação especial de por que não vai funcionar.
Qual a diferença entre um dragão invisível, incorpóreo, flutuante, que cospe fogo atérmico, e um dragão inexistente? Se não há como refutar a minha afirmação, se nenhum experimento concebível vale contra ela, o que significa dizer que o meu dragão existe? A sua incapacidade de invalidar a minha hipótese não é absolutamente a mesma coisa que provar a veracidade dela. Alegações que não podem ser testadas, afirmações imunes a refutações não possuem caráter verídico, seja qual for o valor que possam ter por nos inspirar ou estimular nosso sentimento de admiração. O que eu estou pedindo a você é tão somente que, em face da ausência de evidências, acredite na minha palavra. (Sagan, C. In: O mundo assombrado pelos demônios. Retirado de: http://scm2000.sites.uol.com.br/dragao.html).
Ciência, Cognoscibilidade, Epistemologia, Filosofia, Gerais, Teoria da Ciência, teoria do conhecimento
OFF Topic: O que você anda lendo(1)?
Atenção, o artigo abaixo é um OFF Topic
Recentemente cadastrei-me em um site extremamente interessante: “Skoob”.
É uma espécie de site de relacionamento no qual você cadastra os livros que leu, possui, deseja, quer trocar, que irá ler e as leituras que abandonou.
É possível escrever resenhas, compartilhá-las e conhecer pessoas com perfis de leitura parecidos com os seus.
Pode-se seguir, ter seguidores, trocar recados. Enfim, vi grande utilidade em conseguir exemplares que estou precisando ler por meio de permuta. Creio que será de extrema utilidade.
Caso queira dar uma olhada, entre em: www.skoob.com.br
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(1) – “O que você anda lendo?” é a pergunta inicial do site.
O caso MOND e a Matéria Escura – Duas ‘teorias’ e duas formas de encarar um problema
Na cosmologia moderna, uma das mais intrigantes descobertas é que a matéria comum (de cunho ordinário) pode não ser responsável por fenômenos, como aceleração do universo, rotação de galáxias etc.
É como se o universo tivesse mais massa do que o detectado por padrão.
De fato ao se tentar metodologias para determinar a massa do universo existe uma discrepância entre resultados, em relação ao resultado gravitacional: o universo, repito, parece ter mais massa do que parece.
A rotação de galáxias é um dos exemplos que sofrem com este efeito ao ser efetuada uma medição. Por este motivo os cientistas elaboraram uma teoria em que a maioria da massa do nosso universo é de uma origem estranha, não bariônica (bárion, partículas de matéria convencional, dotadas de três quarks). Esta matéria estranha seria denominada Matéria Escura.
A matéria escura seria um tipo de matéria que tem influência gravitacional nos corpos, mas não seria detectada de forma tradicional como a matéria convencional (bariônica).
Ela não emite nem reflete luz, por isso, não brilha como uma estrela. Basicamente, a matéria escura não pode ser vista – os cientistas conseguem apenas imaginar onde ela está com base nos efeitos gravitacionais do que eles podem ver. (Site: How Stuff Works, ver link).
Esta matéria seria detectada, por efeitos gravitacionais discrepantes (rotação de galáxias não condizentes com a predição de teorias atuais), dentre outros meios.

M104 - Galáxia do sombrero.
Pensemos de forma bem hipotética: suponhamos que nossas teorias tragam a predição de uma rotação x em determinadas galáxias, então algumas medições mostram uma certa discrepância.
Os astrônomos têm duas maneiras para determinar quanto de matéria preenche o Universo. Eles somam tudo que vêem. E medem a velocidade de movimento dos objetos visíveis, aplicam as leis da física e deduzem quanto de massa é necessário para gerar a gravidade que retém esses objetos. Desconfortavelmente, os dois métodos dão diferentes respostas. a maioria dos astrônomos conclui que alguma massa invisível se esconde lá fora – a alusiva matéria escura. (Milgron, Mordehai. In: Scientific American Brasil, Ano 2, nº 17, outubro 2003).
O que podemos conceber? As leis e teorias atuais estão erradas? Existe a necessidade de estabelecer a existência de uma determinada matéria?
Para alguns cientistas (ao analisar resultados diversos de diversos métodos que vão desde o efeito gravitacional até investigações em raios-x de objetos astronômicos) torna-se patente estabelecer a existência de uma matéria. O problema está em estabelecer qual a sua natureza.
Não é ilícito desconfiar da existência de um ente teórico. Este é um trabalho puramente científico. Por exemplo: antes da descoberta do DNA sabia-se que características genotípicas têm uma certa transmissão, mas qual seria a base bioquímica para tal? Podería-se suspeitar sobre a existência de um mecanismo bioquímico embora não se conhecesse corretamente. Read more…
Astronomia, Ciência, Filosofia, Gerais, Teoria da Ciência, teoria do conhecimento
Efemérides Astronômicas – Janeiro 2010
Para aqueles que gostam de acompanhar os céus, deixo aqui uma postagem de utilidade prática. A seguir temos as seguintes informações: gráfico da esfera celeste, horizonte artificial, eclipses solares e lunares de 2010, fases da lua, horas do entardecer, efemérides de janeiro/2010, e chuvas de meteoros. Os dados observacionais de gráficos estão configurados para 05/01/2010, Brasília, às 21:17 em horário local (sem horário de verão). Considerar diferenças entre os gráficos de “horizonte artificial” e “esfera celeste”, além dos dados de “hora do entardecer” devido aos locais reais de observação.
1) Gráfico da Esfera Celeste.
Clique na imagem para ampliar:
2) Horizonte Artificial.
Clique na imagem para ampliar:
3) Eclipses Lunares e Solares de 2010 (fonte: NASA, links mantidos).
- Eclipse Solar Anular: 15/01/2010
- Eclipse Lunar Parcial: 26/06/2010
- Eclipse Solar Total: 11/07/2010
- Eclipse Lunar Total: 21/12/2010
4) Fases da Lua (retirado de software).
- Lua Nova: 07:11 15-jan-2010
- Crescente: 10:53 23-jan-2010
- Lua Cheia: 06:17 30-jan-2010
- Minguante: 23:48 05-fev-2010
5) Horas do entardecer (retirado de software).
Horas do Entardecer: 01 jan 2010 to 31 jan 2010 Data Ocaso Crepúsculo Escuridão Aurora Nascer do Sol ---- ------ -------- -------- -------- ------- sex 01 jan 10 16:01 18:11 None 06:15 08:25 sáb 02 jan 10 16:02 18:12 18:12 - 18:38 06:15 08:25 dom 03 jan 10 16:03 18:13 18:13 - 20:11 06:15 08:25 seg 04 jan 10 16:05 18:14 18:14 - 21:40 06:15 08:24 ter 05 jan 10 16:06 18:15 18:15 - 23:05 06:15 08:24 qua 06 jan 10 16:07 18:16 18:16 - 00:29 06:14 08:23 qui 07 jan 10 16:09 18:18 18:18 - 01:50 06:14 08:23 sex 08 jan 10 16:10 18:19 18:19 - 03:11 06:14 08:22 sáb 09 jan 10 16:11 18:20 18:20 - 04:27 06:13 08:22 dom 10 jan 10 16:13 18:21 18:21 - 05:37 06:13 08:21 seg 11 jan 10 16:14 18:22 18:22 - 06:13 06:13 08:20 ter 12 jan 10 16:16 18:24 18:24 - 06:12 06:12 08:19 qua 13 jan 10 16:18 18:25 18:25 - 06:12 06:12 08:18 qui 14 jan 10 16:19 18:26 18:26 - 06:11 06:11 08:18 sex 15 jan 10 16:21 18:28 18:28 - 06:10 06:10 08:17 sáb 16 jan 10 16:23 18:29 18:29 - 06:10 06:10 08:16 dom 17 jan 10 16:24 18:30 19:05 - 06:09 06:09 08:14 seg 18 jan 10 16:26 18:32 20:16 - 06:08 06:08 08:13 ter 19 jan 10 16:28 18:33 21:26 - 06:07 06:07 08:12 qua 20 jan 10 16:30 18:35 22:37 - 06:06 06:06 08:11 qui 21 jan 10 16:31 18:36 23:50 - 06:05 06:05 08:10 sex 22 jan 10 16:33 18:38 01:05 - 06:04 06:04 08:08 sáb 23 jan 10 16:35 18:39 02:24 - 06:03 06:03 08:07 dom 24 jan 10 16:37 18:41 03:43 - 06:02 06:02 08:06 seg 25 jan 10 16:39 18:42 04:58 - 06:01 06:01 08:04 ter 26 jan 10 16:41 18:44 None 06:00 08:03 qua 27 jan 10 16:43 18:45 None 05:59 08:01 qui 28 jan 10 16:44 18:47 None 05:58 08:00 sex 29 jan 10 16:46 18:48 None 05:56 07:58 sáb 30 jan 10 16:48 18:50 None 05:55 07:56 dom 31 jan 10 16:50 18:52 18:52 - 19:07 05:54 07:55
6) Efemérides (JAN – 2010; fonte: Boletim Super Novas).
| Data e hora (Hora de Brasília) | Efeméride |
|---|---|
| 01/01/2010 às 20:36:00 | Mínima distância entre a Terra e a Lua (360 mil km). |
| 02/01/2010 às 15:29:00 | Alinhamento entre a Lua e o aglomerado Presépio. |
| 02/01/2010 às 20:59:00 | Menor distância entre a Terra e o Sol (147,1 milhões de km). |
| 03/01/2010 às 19:05:00 | Chuva de meteoros na constelação Boieiro (Boötes). |
| 11/01/2010 às 12:43:00 | Alinhamento entre a Lua e a estrela Antares. |
| 15/01/2010 às 07:07:00 | A Lua oculta o centro do Sol, deixando apenas um anel solar. |
| 17/01/2010 às 01:40:00 | Máxima distância entre a Terra e a Lua (400 mil km). |
| 25/01/2010 às 11:00:00 | Alinhamento entre a Lua e as Plêiades. |
| 30/01/2010 às 02:48:00 | Alinhamento entre a Lua e o aglomerado Presépio. |
| 30/01/2010 às 09:03:00 | Mínima distância entre a Terra e a Lua (360 mil km). |
| 07/02/2010 às 18:29:00 | Alinhamento entre a Lua e a estrela Antares. |
| 12/02/2010 às 05:55:00 | Alinhamento entre a Lua e o planeta Mercúrio. |
| 13/02/2010 às 02:06:00 | Máxima distância entre a Terra e a Lua (400 mil km). |
| 21/02/2010 às 18:32:00 | Alinhamento entre a Lua e as Plêiades. |
| 26/02/2010 às 14:03:00 | Alinhamento entre a Lua e o aglomerado Presépio. |
| 27/02/2010 às 21:40:00 | Mínima distância entre a Terra e a Lua (360 mil km). |
| 07/03/2010 às 01:32:00 | Alinhamento entre a Lua e a estrela Antares. |
| 12/03/2010 às 10:07:00 | Máxima distância entre a Terra e a Lua (400 mil km). |
| 20/03/2010 às 17:32:00 | Começa a Outono. |
| 21/03/2010 às 00:08:00 | Alinhamento entre a Lua e as Plêiades. |
| 25/03/2010 às 13:57:00 | Alinhamento entre a Lua e o planeta Marte. |
| 25/03/2010 às 23:06:00 | Alinhamento entre a Lua e o aglomerado Presépio. |
| 28/03/2010 às 04:56:00 | Mínima distância entre a Terra e a Lua (360 mil km). |
| 03/04/2010 às 10:17:00 | Alinhamento entre a Lua e a estrela Antares. |
| 09/04/2010 às 02:45:00 | Máxima distância entre a Terra e a Lua (400 mil km). |
| 16/04/2010 às 12:55:00 | Alinhamento entre a Lua e o planeta Vênus. |
| 17/04/2010 às 05:43:00 | Alinhamento entre a Lua e as Plêiades. |
| 22/04/2010 às 05:35:00 | Alinhamento entre a Lua e o aglomerado Presépio. |
| 22/04/2010 às 09:27:00 | Alinhamento entre a Lua e o planeta Marte. |
| 22/04/2010 às 16:35:00 | Chuva de meteoros na constelação Lira. |
7) Chuvas de meteoros (fonte wikipédia, links para seus verbetes mantidos).
| Nome | Datas | Data do pico | Ascensão recta | Declinação | Velocidade (km/s) | THZ | Intensidade e descrição |
| Quadrântidas | Jan 1-Jan 5 | Jan 3 | 15:20:00 | 49 | 41 | 120 | Forte com velocidades médias |
| Gamma Velídeas | Jan 1-Jan 15 | Jan 5 | 08:20:00 | -47 | 35 | 2 | Fraca |
| Alpha Crucídeas | Jan 6-Jan 28 | Jan 15 | 12:48:00 | -63 | 50 | 3 | Fraca |
| Delta Cancrídeas | Jan 1-Jan 31 | Jan 17 | 08:40:00 | 20 | 28 | 4 | Média |
| Alpha Hidrídeas | Jan 5-Feb 14 | Jan 19 | 08:52:00 | -11 | 44 | 2 | Fraca |
| Eta Carinídeas | Jan 14-Jan 27 | Jan 21 | 10:40:00 | -59 | 2 | Fraca | |
| Alpha Carinídeas | Jan 24-Fev 9 | Jan 30 | 06:20:00 | -54 | 25 | 2 | Fraca |
| Delta Velídeas | Jan 22-Fev 21 | Fev 5 | 08:44:00 | -52 | 35 | 1 | Fraca |
| Alpha Centaurídeas | Jan 28-Fev 21 | Fev 7 | 14:00:00 | -59 | 56 | 6 | Média |
| Omicron Centaurídeas | Jan 31-Fev 19 | Fev 11 | 11:48:00 | -56 | 51 | 2 | Fraca |
| Theta Centaurídeas | Jan 23-Mar 12 | Fev 21 | 14:00:00 | -41 | 60 | 4 | Fraca |
8 ) Fontes.
Alterações Ad hoc – Limites entre o lícito e o ilícito (Série pseudociências – Parte 4#)
Quando falamos a respeito do Falseacionismo Ingênuo (ou falseacionismo dogmático), estabelecemos que existe um problema sério para demarcar até que ponto é lícito as alterações ad hoc que podem incluir novas, ou alterar antigas hipóteses.
Em outro ensaio, também estabelecemos, que existe um problema de demarcação entre o que é ou não pseudociência. De forma geral, como diz na publicação “Crítica na Rede”, “O problema da demarcação consiste em distinguir a ciência das disciplinas não científicas que também pretendem fazer afirmações verdadeiras sobre o mundo” (Achinstein, Peter in: Crítica na Rede. Ver link). Este termo teria sido utilizado, primariamente, por Popper e podemos afirmar que sua pesquisa de um falseacionismo seria justamente demarcar o que é científico.
O problema da demarcação é um problema de âmbito epistemológico (demarcar qual produto do conhecimento pode ser considerado científico). Pensadores podem até ter desenvolvido formas de fazer tal demarcação, mas ainda assim encontra-se problemas residuais acerca disto. Se Popper desenvolveu uma filosofia da ciência em que o que é teoria científica é refutável, isto é um avanço – entretanto existe ainda o problema residual: se formos dogmáticos no falseacionismo, assumiremos que toda e qualquer alteração ad hoc é ilícita; entretanto isto é um sério problema epistemológico, pois como poderíamos chegar a construir uma teoria consistente, caso toda e qualquer hipótese refutada fosse capaz de falsear toda a teoria?
Ora essas duas formas que expus acima são apenas duas faces de um mesmo problema. Se é problemático definir, penso, até que ponto é lícito alterações ad hoc também temos um problema em definir com precisão o que é científico.
Evidente que alguns casos saltam como exemplos claros. Carl Sagan no livro “O mundo assombrado pelos demônios” (do qual já escrevi um artigo a respeito) fala do exemplo do “dragão na minha garagem”. Se eu quero provar para você que existe um dragão na minha garagem e, você que é um cético, questiona de todas as formas possíveis a minha afirmação e eu rebato o tempo inteiro com alterações ad hoc transformando a afirmação inicial em uma outra afirmação durante o processo, é claro que esta não será uma afirmação de minha parte que tenha caráter científico.
Uma teoria pseudocientífica, no entanto, pode-se utilizar de forma abusiva das alterações ad hoc. Mas qual é o nível desse abuso?
Se olharmos a história da ciência encontramos o caso da teoria do Éter, no qual a luz se propagaria numa onda num meio muito tênue, o éter.

Hendrik Antoon Lorentz
As tentativas experimentais para detectar o éter falharam ao apontar a natureza do mesmo (ver experimentos de Michelson e Morley). Explicações sobre o funcionamento da luz no éter então surgiram. Estes tipos de alterações foram ad hoc.
Ora, claro que ainda neste meio tempo a eficácia de uma teoria ou outra pudessem ser questionadas, mas os experimentos tinham boa base teórica (leia: tinham boa coerência com a teoria) e nenhum deles foi capaz de detectar o éter, mesmo com a condição da coerência teórica. A saída foi alterar a teoria do éter para explicar o porque que mesmo os experimentos estando em coerência com a teoria não foram capazes de detectá-lo.
As alterações nestas teorias, sobretudo as re-interpretações de um cientísta chamado Lorentz salvaram a teoria do éter por um tempo, mas ao mesmo tempo abriu bagagem teórica para o desenvolvimento de outro aparato teórico: a teoria da relatividade, por Albert Einstein.
Ciência, Epistemologia, Filosofia, Gerais, Teoria da Ciência, teoria do conhecimento
O Falseacionismo Ingênuo e a solução fantástica (Série pseudociências – Parte 3#)

Karl Popper
Para começar esta postagem, vou fazer uma analogia, que já usei em conversas em outros blogs. Lógico que este exemplo encerra apenas parte do que quero dizer e não é completo, mas tento elucidar um pouco sobre a complexidade das teorias no processo científico.
Imagine que você está num quarto escuro. Em pleno escuro. Sabe que apenas existe um interruptor para acender uma luz. Você inicia uma série de hipóteses:
1) Deve existir ao menos uma lâmpada neste quarto.
2) Se existir ao menos uma lâmpada, ela deve ser acionada por um interruptor.
3) O interruptor deve ficar numa das paredes do quarto.
Você então começa a tatear o quarto. Aparentemente está longe das paredes. Então começa a tatear objetos em busca de uma parede. Encontra um sofá e portanto deduz que atrás deste sofá deve existir uma parede. Chega a parede (confirmando sua hipótese). Tateando a parede descobre na parede subsequente uma cortina.
Deduz que atrás da cortina deve existir uma janela e ao abrir irá iluminar, mesmo que parcialmente, o quarto ajudando a achar o interruptor. Para sua felicidade sua hipótese auxiliar está corroborada e existe uma janela. Entretanto ela está trancada e não pode ser aberta.
Em seguida continua a tatear até achar uma porta. A mesma está trancada. Deduz que perto da porta deve existir um interruptor. Para seu desânimo você não encontra interruptor.
A partir de então deve tomar uma decisão, o fato de não encontrar um interruptor não é sinal de que ele não exista.
a) ele pode existir próxima a esta porta e não tateei corretamente.
b) ele pode não existir próxima a esta porta e estar próxima a outra.
c) ele pode não estar próxima a nenhuma porta.
d) ele pode não existir.
Poderia falsear logo aí toda a minha “teoria”, ou poderia refazer apenas as hipóteses que estão com problemas. Como podemos perceber existe dois extremos pessimistas: se eu descartar logo de primeira corro o risco de estar no caminho certo e mudar repentinamente, ou estar no caminho errado e tentar continuar insistindo num caminho que não representa verossemelhança com o mundo e gastar tempo com algo que nada irá me resultar.
Popper desenvolveu uma teoria da ciência, que ao invés da verificação de uma teoria, o cientista deve tentar falseá-la. Uma teoria falseável é plenamente científica. Quando observações vão contra a teoria a mesma é falseada. Caso não corram contra a teoria, ela é corroborada.
Ora, o falseacionismo ingênuo é aquele em que acredita-se que uma ou qualquer observação contrária é capaz de falsear uma teoria. O falseacionista ingênuo (ou dogmático) poderia tachar excessivamente uma alteração ad hoc (uma alteração após observação) na teoria.
Entretanto Popper não era um mero falseacionista ingênuo. Existe um problema da demarcação: até que ponto é lícito alterar ad hoc teorias para que se sustentem. E Popper sabia deste problema. Não é acertado colocar o pensamento de Popper como um falseacionista ingênuo, como pode-se pensar numa primeira passagem.
O falseacionista ingênuo acredita, de certa forma, que toda a teia de teoria científica relaciona-se com dados observacionais.
Mas não é bem isso que encontramos na ciência. Podemos encontrar teorias conectadas a outras teorias e estas a outras e estas últimas sim a dados observacionais. Não só de correspondência vive a ciência, mas sim também de coerência entre teorias.
Ora, pode acontecer de hipóteses auxiliares serem refutadas num experimento (ou observação), mas um centro teórico ainda parecer coeso.

Imre Lakatos
Por este motivo, um outro pensador, Lakatos, desenvolveu uma filosofia em que existem programas de pesquisa científica. Elas podem possuir um núcleo duro que é mais coeso e difícil alteração e extremidades de hipóteses auxiliares que podem ser alteradas conforme a confrontação.
Pode acontecer ainda uma teoria não ser correta e realmente acontecer uma refutação no cerne da mesma.
Como podemos, então, demarcar o procedimento a adotar? Creio que o falseacionismo ingênuo, apesar de, aparentemente, ser fantástica a sua solução (refutou qualquer coisa, descarte) não é plenamente válida. Descobrir a natureza requer paciência e muito cuidado. Da mesma forma modificar eternamente uma teoria, face as confrontações, pode acabar por deixá-la totalmente disforme.
Participo do pensamento em que os dois extremos não são bem vindos:
a) alterar uma teoria demais pode ser sinal claro de que a mesma não está funcionando bem, portanto deverá ser bem analisada se suas alterações são em hipóteses profundas, se mantém coerência, se as obsevações (se puderem ser) repetidas reportam o mesmo grau de refutação, etc; então esta teoria é seria candidata a ser falseada e uma “salvação” da mesma pode torná-la pseudociência (e este é um caminho comum nas pseudociências).
b) Achar que toda a ciência está relacionada de forma direta a uma observação. E que uma observação contrária pode já refutar TODA uma teoria, sem antes analisar a natureza da observação, a qualidade da mesma, se a refutação é ou não a nível auxiliar.
Penso que uma teoria errada, acaba no passar dos anos não se sustentando. Encontramos isto na história da teoria do éter e no surgimento da teoria da relatividade.
Deve-se ter um meio termo entre o salvador de teorias e o falseacionista ingênuo (por mais fantástico que este último possa parecer).
UPDATE (OBS)
Encontrei algumas pessoas com pensamento de cunho de falseacionismo ingênuo que considerariam que “hipóteses auxiliares” seriam formas de “minimizar a importância da descoberta científica” (ver link supracitado). De antemão: hipóteses auxiliares não reduzem a importância da descoberta científica, apenas descrevem o funcionamento da dinâmica científica que o falseacionista ingênuo pode deixar passar despercebido.
Arnaldo Vasconcellos.
Ciência, Epistemologia, Evolucionismo, Filosofia, Teoria da Ciência, teoria do conhecimento




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