Sejam bem vindos! Este blog tem como o objetivo estudar a ciência e a filosofia da ciência, bem como discutir a respeito dos avanços científicos e tecnológicos sob a luz, sempre que for possível, da filosofia.

O que é então o criacionismo?

March 5th, 2010

Este artigo é uma resposta ao: “o que o criacionismo não é?” (1).

Durante conversas com um colega, foi feita a sugestão que eu fizesse uma leitura do referido artigo de Michelson. A leitura serviria como uma permuta de análise de artigos.

O artigo O que o criacionismo não é, escrito por Michelson Borges, estabelece que no ano de Darwin (2009) a teoria da evolução estaria sofrendo ataques, alguns bem fundamentados e outros não. Embora não exponha largamente no artigo quais seriam todas as supostas críticas bem fundamentadas ao evolucionismo  – o foco do artigo não é falar sobre evolucionismo, mas sobre o que o criacionismo não pode ser considerado. O autor diz o seguinte:

Todos sairiam ganhando se se deixassem de lado motivações ideológicas e fossem verificados – sob o melhor rigor científico – os fatos e em que aspectos eles favorecem esse ou aquele modelo. (Borges, M. In: o que o criacionismo não é?)

Concordando com suas palavras acerca da suspensão dos valores ideológicos, efetuando uma espécie de suspensão aos meus valores creditados tentarei ser o mais analítico possível quanto ao artigo e alguns comentários acerca do mesmo.

O autor do artigo, logo deixa claro qual será sua abordagem. Irá mostrar o que, supostamente, o criacionismo não é:

Por isso, é necessário desfazer alguns mal entendidos repetidos por gente que adora uma boa polêmica. Eis alguns deles: (idem)

O autor, portanto inicia suas explicações, clareando melhor acerca do que não é criacionismo, sob sua visão.

Coloco que é sob sua visão pois lendo com cuidado notei que certas explicações não são totalmente eficazes para salvar o criacionismo como teoria plenamente científica. De um âmbito geral o artigo é bem escrito, tem um espírito que não me parece enganatório, pois parece esclarecer sobre o criacionismo, mas efetivamente está envolto numa visão de mundo determinado.

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UPDATE – Últimas atualizações

March 3rd, 2010

O seguinte artigo (de 28.12.2009) foi atualizado hoje 03.03.2010. Contém mais algumas reflexões sobre o assunto “protociência” e suas sutilezas.

Pseudociências – Série de Ensaios (Parte #2)

Arnaldo Vasconcellos Gerais

OFF: Endeavour aproximando da atmosfera

February 26th, 2010

Endeavour voltando à atmosfera terrestre.

Uma imagem muito bela. Não pude deixar de destacar.

Endeavour aproximando da atmosfera

Endeavour aproximando da atmosfera

A imagem é da nasa. Clique na imagem para abrir no tamanho original. A foto foi a foto do dia do site Astronomy Picture of the Day, que a cada dia seleciona uma foto de destaque. Este foi do dia 16 de fevereiro de 2010. Read more…

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Só se pode navegar existindo a escrita?

February 25th, 2010

Em um blog criacionista foi formulado um argumento em que por a língua escrita ter sido desenvolvida a aproximadamente (no máximo) 6.000 anos, isso seria base de uma dúvida da datação evolucionista, em relação ao desenvolvimento da navegação (por base no papel de transferência de saberes tecnológicos que a escrita pode representar) e por conseguinte dúvida da veracidade do próprio evolucionismo (com este argumento).

Eu me pergunto, será realmente que somente se pode navegar existindo a escrita, como afirma o blog?

O blog coloca que a escrita é uma condição necessária para se desenvolver a navegação.

Vamos analisar o artigo em questão. Diz assim o artigo:

“Uma das muitas coisas que me leva a não ter fé na  teoria religiosa evolucionista [sic!] é o facto do conhecimento humano se desenvolver rapidamente. O que é que isso tem a ver, perguntam vocês…

“Pois bem, os evolucionistas acreditam que o Homo erectus, um ser humano que até tinha capacidade para falar, está na terra há cerca de 2 milhões de anos. Não obstante, eles acreditam que estes seres humanos só nos últimos 10.000 anos da História é que descobriram coisas como a agricultura, criaram civilizações, monumentos gigantes, foguetões e blogues. O conto evolucionista custa a engolir porque nós sabemos que, em 6000 anos de História registada, o conhecimento progrediu de uma forma devastadora. Mas aí vem o evolucionista e saca do bolso uns milhões de anos que nunca ninguém viu nem registou, onde o conhecimento parece ter estado estagnado.”

Não me parece que “estagnado” seria a palavra certa. A velocidade de desenvolvimento de conhecimento humano pode ser potencializada com adventos de técnicas. Parece-me plausível supor que a escrita poderia ter um papel, ao longo dos tempos, potencializador em como se transmite uma técnica (ou tecnologia) e portanto não poderíamos chamar de “estagnado” o estágio anterior. Assim como a internet hoje pode potencializar a divulgação e a velocidade de informações, a escrita pode ter tido (ou ainda ter) seu papel neste fomento.

Ainda mais a frente o autor afirma:

“Navegação começou 100 mil anos antes do que se pensava

“Esta notícia saiu esta semana e serve muito bem como exemplo do assunto que está a ser discutido. Segundo os conceitos de datação evolucionistas, ferramentas de pedra encontradas na ilha de Creta indicam que os humanos de há 130 mil anos (130.000) já navegavam pelo Mediterrâneo. Uma vez que segundo eles Creta é uma ilha desde há 5 milhões de anos, aquelas ferramentas têm de ter sido trazidas para lá por alguém que navegou até ao local.

“Eis o que o dr. Thomas Strasser disse, referindo-se ás ferramentas: “Ficámos completamente atónitos. Aquelas coisas não deveriam estar lá“.

“Vamos assumir a datação evolucionista por algum tempo. O evolucionista conta-nos a histórinha de que há 130 mil anos já havia seres humanos que tinham conhecimento de navegação mas só 120 mil anos depois é que se lembraram de criar um alfabeto e registar a sua História. A treta não pega.” [Grifo meu].

Ora, não é menos plausível pensar na possibilidade de povos que desenvolvam a navegação e depois venham a desenvolver navegação. O desenvolvimento da escrita não foi uniforme e parece que o argumento do autor criacionista é envolto na seguinte hipótese (h1) “Deus criou os homens com a escrita, porque a escrita apareceu a uns 5000 ou 6000 anos atrás” e este está atrelado ao (h2) “é contra-senso desenvolver navegação sem a escrita, pois com a escrita pode-se transmitir a tecnologia de navegação”.

Entretanto os povos ao longo do mundo não criaram a escrita ao mesmo tempo. Algumas desenvolveram a 3000 a.C.,  outras à 1500 a.C etc. Portanto derruba o h1.

Outra importante coisa a se salientar que não obrigatoriamente todos os povos tenham desenvolvido uma tradição escrita que fosse capaz de transmitir tais técnicas de navegação. As técnicas de navegação parecem poder ser transmitidas por via oral, visto que lingua falada não é necessariamente língua escrita (contrariando o h2). Assim é possível existir povos que não se tenha desenvolvido escrita, mas que com uma cultura oral pudessem transmitir técnicas básicas de construção de embarcações e navegação – e a transmissão oral pode-se basear em contos de lendas, tradições, culturas etc.

Não parece, ser, portanto, difícil supor a transmissão oral de feitos e técnicas. Read more…

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Diagramas de Euler e Venn

February 23rd, 2010

Posto aqui um vídeo que fiz em 2008 para explicar como aplicar diagramas de Venn e Euler em silogismos.

O vídeo está sob a licença GNU/FDL.

P.S.: Deve-se apenas atentar para uma errata colocada em legenda, quando estou explicando sobre “hachura” no diagrama.

Arnaldo Vasconcellos.

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Pode uma teoria científica representar posicionamento religioso? (Série “Do que a ciência se preocupa” Parte 7#)

February 13th, 2010

Ultimamente tenho lido diversos outros blogs. Pude constatar que existe, de uma certa maneira, a idéia que aceitar um determinado ramo da ciência, ou ainda uma determinada teoria, seria coadunar com certos preceitos religiosos (ou não-religioso),  valores (costumes) estabelecidos. É como se uma moral baseada num posicionamento religioso estivesse envolvido ao adotar uma teoria científica. Refleti por um tempo sobre o assunto e encontrei que, possívelmente, se trata de um grande equívoco.

Tomemos como exemplos duas teorias. A teoria do Big Bang e a teoria moderna da evolução. Para algumas pessoas, aceitar a teoria da evolução (ou do Big Bang), ou ainda trabalhar com ela é aceitar uma espécie de ateísmo.

Começo a pergunter-me o porquê destas afirmações. Aparentemente a resposta parece estar envolvida com o fato de que as teorias científicas em questão não estão associadas a preceitos religiosos determinados, ideiais de uma cosmovisão baseada em crenças determinadas. Desta feita para alguns adeptos religiosos aceitá-la é trair seu ideário religioso. E isso não convém para os mesmos que usam o argumento apresentado.

Levando em consideração as reflexões do artigo A garantia social da ciência (Série pseudociências – Parte 6#) parece que é atribuído, por parte dos que utilizam estes argumentos uma moralidade na teoria, como se a teoria carregasse consigo ideais puramente morais. Talvez este fato curioso tenha um mecanismo parecido com o da pseudociência, só de caráter contrário (visa a denegrir o funcionamento de uma determinada teoria, por não ser conveniente com alguma crença específica).

Vejam bem, não estou dizendo, ao longo do blog, que durante o desenvolvimento de uma teoria, que um indivíduo não deixe rastros de suas cosmovisões para desenvolvê-la. Isto pode ocorrer. Entretanto, refleti que isto é preferível não acontecer (ver os artigos “A suspensão do juízo como heurística” e “A heurística da suspensão é mais uma cosmovisão?“).  Tecnicamente o método científico deve ser usado para evitar tais processos de parcialidade (embora sempre possam ocorrer, os processos de parcialidade tendem a diminuir com um método rigoroso que funcione não somente com um ou outro indivíduo, mas com toda uma comunidade envolvida no processo científico).

Claro que a idéia de ciência tem consigo imagens tácitas do que é o mundo, e que elas possam ordenar a imagem de uma ciência específica. E uma questão que pode ocorrer disto é: se é imagem por imagem, porque não aceitar uma imagem tácita que aceite valores morais determinados? Esta questão já foi abordada num dos artigos supracitados, mas voltamos a falar dela pois é preciso explicitar que a questão é estruturalmente diferente (suspender juízos religiosos, morais, filosóficos e até mesmo científicos, dentro da possibilidade que o psicológico permitir; isso será uma possibilidade de criação de novas funções teóricas sem amarras do preconceito). Entretanto na estruturação de uma ciência existe uma imagem de ciência embasada numa imagem de natureza – funcionando num mecanismo girado pelo método. Read more…

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A heurística da suspensão é mais uma cosmovisão?

January 30th, 2010

Ao escrever o ensaio “A suspensão do juízo como heurística” havia me perguntado sobre a possibilidade desta suspensão (inclusive a religiosa) ser possível e se ela poderia ser elencada como uma outra cosmovisão. Por este motivo, afirmei que deveria ser feito dentro da possibilidade do que for humanamente possível. E esse é o ponto. Mesmo assim ainda com certas dúvidas e precisando dialogar, cheguei como quem nada queria e comecei expor minhas dúvidas à minha esposa a fim de perceber seu viés acerca do assunto; uma visão diferente da minha. De certa forma, ela chegou justamente no ponto de minha dúvida e conversamos o possível no prelúdio de minha ida ao trabalho.

Também mantive conversa com Vanessa Meira, uma blogueira que estou tratando o assunto. E com base nas seguintes conversas, notei certas objeções ao método heurístico que comentei na postagem supracitada:

1) Suspender juízos de forma completa é impossível. Somos humanos e sempre estamos sujeitos a cosmovisões.

2) O ato de suspender juízos para investigar o mundo é uma cosmovisão. Portanto seria uma cosmovisão que tentaria sobressair-se as demais.

Pois bem, ao escrever originalmente o ensaio supracitado, deixei bem claro que a suspensão deve ser feita, se for feita, “dentro dos limites humanos”. E que esta suspensão não tem em si a consequência de uma “traição” à sua cosmovisão.

Existe uma diferença muito grande em supor uma suspensão de seus valores religiosos (e outros se necessário, para uma investigação) dentro do limite em que você puder e pedir uma suspensão total. Sim, total é impossível, por isto mesmo já estava implicito no meu artigo citado quando dito “humanamente possível”.

Quanto ao ato da suspensão ser uma cosmovisão não se tem muito para fugir, pois toda empreitada humana é tomada por imagens tácitas assumidas. A ciência, como já abordamos em outros ensaios é tomada por imagens de natureza.

Entretanto é difícil determinar se a “suspensão dos juízos” é de fato uma cosmovisão ou se ela precisamente apenas participa de uma. Há diferenças neste quesito. Read more…

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A suspensão do juízo como heurística

January 29th, 2010

Diversas vezes tenho esbarrado em alguns blogs (alguns de cunho religioso) [*]com pessoas usando de suas crenças para pensarem e analisarem acerca de diversos temas.

Muitas vezes pedi a suspensão dos juízos (religiosos incluídos) e nem sempre fui muito bem compreendido. Um dos argumentos apresentados é que se tal pessoa crê fielmente em algo deve inundar-se completamente a ponto de poder fazer-se um bom crente.

Entretanto, argumento que a suspensão dos juízos é uma boa heurística para se fazer pensar diversos temas que, dentro de cosmovisões determinadas, estaríamos limitados. Lógico que existe o limite do que é humanamente possível fazer de suspensão.

Há um argumento escondido, por parte dos que não aceitam uma suspensão, de como se ao suspender juízos fossemos nos tornar traídores em uma determinada classe de pensamentos (seja religiosa, científica ou filosófica).

Uma boa maneira que encontrei é tentar pensar em diversas hipóteses. O artigo que utilizei o exemplo de Sagan do “dragão em minha garagem” foi um exemplo. Mas houve quem leu de forma teológica, enquanto eu tratava apenas de uma situação hipotética, para depois poder analisar os resultados e trazê-los a tona.

Fazer isso não é deixar o pensamento em compartimentos estanques. Não é, pois o que deixa o pensamento estanque e engessado é justamente trancá-lo em cosmovisões, que cada vez mais pedem que apertemos nossas faculdades do entendimento, a fim de não representar uma suposta “traição”. Read more…

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A garantia social da ciência (Série pseudociências – Parte 6#)

January 26th, 2010

Olhando amplamente todo o leque de pseudociências, pergunto-me “o que fez com que um tipo de explicação não-científica tente se passar por ciência?”.

É claro, como muitos ja apontaram, como Carl Sagan, citado no início de nossa série de ensaios sobre pseudociências, existe uma séria deficiência na alfabetização científica.

Essa deficiência permite que explicações não-científicas passem como científicas; assim como também é possível encontrar pessoas com uma certa fobia ao que e científico. Por que?

Os fóbicos da ciência relacionam os maus usos dos produtos da ciência e tecnologia como se fosse a própria ciência.  Esquecem que ela é um instrumento, assim como outras áreas plenamente humanas. O uso dos produtos científicos e tecnológicos beiram a instrumentalidade: usar um martelo para lesar uma pessoa não significa dizer que o martelo é “mau”.

O valor maléfico ou benéfico é dado aos produtos dela e não a si mesma.  A confusão entre empregos lesatórios, dos produtos de uma ciência e a própria ciência, é uma das fontes de fobia científica.

Claro que a coisa não é tão simples assim, alguns ainda podem argumentar que o procedimento científico pode empreender resultados que lesariam. O estudo de drogas em animais, por exemplo, podem ser uma lesão a animais.

Mas este é um caso centrado na ética da conduta de pesquisa. O fóbico da ciência, quando admite sua maleficidade, a admite por geral. A generalisa. E pega casos centrados na ética da conduta de pesquisa e generalisa como um todo. Por este motivo deve existir o estudo ético na ciência. Entretanto o argumento do fóbico parece ser truncado: não encontramos em todo o tempo atos que poderiam ser considerados lesatórios num estudo científico. Caso um fóbico da ciência ainda afirme que, em última instância, todo ato de estudo científico leva ou pode levar a lesões a outrém, posso ainda imaginar que este argumento não é muito forte: poderia ser extendido para toda capacidade de raciocínio, não só à ciência, e por último ao ser humano e suas decisões diárias (não vejo essa linha de raciocínio, de que a ciência seria má por possibilitar lesões mesmo que em decorrência de um estudo não lesatório, como uma linha de crítica válida; parece uma crítica externa e ela cabe tanto no que é conhecimento, quanto no que for humano – e assim o homem seria lesatório por natureza e tudo o que produzisse).

Portanto, de uma maneira ampla, o argumento do fóbico parece nascer de uma confusão entre uma escolha realmente lesatória (construir uma arma  com conhecimento técnico-científico e aplicá-la) e uma escolha não lesatória, mas que poderia levar a uma lesão futura (o estudo da combustão de certas substâncias).

Um teste com uma bomba nuclear - Fonte: Wikipédia

Um teste com uma bomba nuclear - Fonte: Wikipédia

A deficiência na alfabetização científica (e não somente nela, mas em muitos campos do conhecimento) pode permitir este tipo de fobia. Não estou falando da crítica à ciência (a ciência como qualquer outro âmbito humano está passível a crítica; e ao meu ver deve estar sempre sobre o crivo do olhar crítico), mas estou a remeter-me ao ato fóbico, quase doentio, da negação do que é ciência ou científico (como se ela fosse uma personagem maléfica de uma história). Read more…

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Updates efetuados

January 24th, 2010